segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

segunda-feira, 14 de novembro de 2011


PROPOSTA PEDAGÓGICA PARA O ENSINO MÉDIO POLITÉCNICO E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL INTEGRADA AO ENSINO MÉDIO 2011-2014

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO do ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL


http://www.uges.org.br/arquivos/PROPOSTA%20PEDAGOGICA%20PARA%20O%20ENSINO%20MEDIO.pdf

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Desafios para a educação química

     A Ciência é uma das mais extraordinárias criações do homem, que lhe confere, ao mesmo tempo, poderes de satisfação intelectual, pela estética que suas explicações proporcionam, quanto pelas possibilidades de conhecimento científico. Mas ela não é lugar de certezas absolutas. Conhecer a Ciência é assunto quase vedado àqueles que não pertencem a essa comunidade científica.  Acredito que não tenhamos ideia da quantidade de homens e mulheres que são analfabetos científicos. Sabemos que há muito a mudar. Assim como são realizadas campanhas  para diminuir as taxas de analfabetismo, a busca de alternativas para oferecer uma alfabetização científica aos homens e mulheres para fazê-los cidadãos e cidadãs mais críticos é nosso continuado, mas aparentemente novo desafio.
       Quando se fazem propostas para uma alfabetização científica se pensa imediatamente nos currículos de ciências. A ciência é estudada de maneira inter-relacionada com as tecnologias e a sociedade. Tais currículos hoje tem sido denominados de TIC's.
     Precisamos ter presente a nossa responsabilidade maior no ensinar Ciência. Fazer com que os nossos alunos e alunas se tornem, homens e mulheres mais críticos, e os estudantes possam tornar-se agentes de transformação do mundo em que vivemos.
     A situação da Química tem seu objeto de estudo muito mais distante do aluno. Átomos, moléculas, íons, elétrons, mol... não pertencem ao senso comum das pessoas. Inicialmente a Química trabalha com modelos, visto que a realidade muitas vezes está fora do alcance dos estudantes, e o relacionamento com as dimensões do que é objeto do ensino, operando com números tão grandes e/ou tão pequenos, ficando fora do imaginário do aluno e muitas vezes, até do professor.
      Kekulé, descobriu, enquanto sonhava, a estrutura do benzeno. É preciso que (re)aprendamos a sonhar.
     Reconheço a existência de um estatuto próprio para  a linguagem química, mas permito-me utilizar a tradução dessa linguagem para facilitar o entendimento dos analfabetos científicos que temos que alfabetizar.

domingo, 30 de outubro de 2011

Seminário Regional Boas Práticas Digitais


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QUINTA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2011


No dia 20 de outubro aconteceu o Seminário Regional Boas Práticas Digitais, no auditório da ULBRA em Cachoeira do Sul.
O evento foi uma realização SEDUC/NTE e estiveram presentes professores da 3ª CRE (Estrela), da 6ª CRE (Santa Cruz do Sul), da 8ª CRE (Santa Maria) e da 24ª CRE (Cachoeira do Sul). O encontro proporcionou o relato das boas práticas digitais e tecnológicas, e o uso das novas tecnologias no fazer pedagógico; assim como, as trocas de experiências, subsidiando as novas possibilidades dos recursos tecnológicos, e promovendo a reflexão crítica sobre uso pedagógico das tecnologias como recurso didático.

O Prof. Rodrigo Keller, Doutor em Informática na Educação pela UFRGS e Coordenador do Curso de Sistemas de Informação da ULBRA palestrou sobre “Professores na geração digital”, logo após iniciaram os relatos de experiências das escolas de abrangência da quatro Coordenadorias, pela manhã do Ensino Fundamental do Ensino Médio pela tarde. 

Trabalhos apresentados:

Ensino Fundamental

Jornal On-line
Escola: EEEF Amaral Lisboa
Responsável: Rochele Schneider Peters
Cidade: Rio Pardo

Ensino Médio

Blog
Escola: CE Monte Alverne e EEEM Wlly Carlos Fröhlich
Responsável: Núria Meurer e Lenir Maria Rossarola
Cidade: Santa Cruz do Sul


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Jogos didáticos

Durante muito tempo, acreditava-se que a aprendizagem ocorria pela repetição e que os alunos que não aprendiam eram os únicos responsáveis pelo seu insucesso. Hoje o insucesso de um aluno também é fruto do trabalho do profissional da educação. A ideia de ensino despertado pelo interesse do aluno passou a ser um desafio à competência do professor. O interesse do aluno passou a ser a força motora do processo de aprendizagem e o professor, o gerador de situações estimuladoras para aprendizagem. É nesse contexto que o jogo didático ganha espaço como instrumento motivador para aprendizagem de conhecimentos à medida que propõe estímulo ao interesse do aluno. O jogo ajuda o aluno a construir novas descobertas desenvolvendo e enriquecendo sua personalidade. Para o professor, o jogo o leva a condição de condutor, estimulador e avaliador da aprendizagem.
O professor pode utilizar jogos didáticos como auxiliar na construção do conhecimento, em qualquer área de ensino. Na matemática, é muito comum a utilização de jogos, principalmente nos primeiros anos de escolaridade. A biologia, também, faz uso desse recurso com certa frequência. Na química, esse recurso também tem sido utilizado, existindo hoje um bom material estruturado para o ensino de química. No ensino médio, em que os alunos encontram-se em uma faixa etária superior aos 14 anos, espera-se que os alunos já tenham alcançado um nível de abstação maior, dispensando-se recursos mais concretos, como e o caso dos jogos didáticos. Porém, para essa faixa etária, os jogos são igualmente interessantes e despertam grande interesse no aluno, já que a atividade de jogar, num sentido amplo, não é privilégio das crianças, pois adultos também gostam de jogar.
Entretanto os jogos devem ser mais elaborados, utilizando-se mais os jogos chamados de "jogos intelectuais". Esses jogos apresentam regras e objetivos bem definidos, que possibilitam estimular habilidades cognitivas, levando o aluno a relações mais abrangentes e criativas. Um jogo com essas características facilita a interiorização de conteúdos muitas vezes abstratos para o aluno.
Os jogos permitem, que os alunos, durante a atividade, participem da avaliação do próprio jogo, de seus companheiros e façam uma auto-avaliação do seu desempenho. Por outro lado, o professor, como observador de todo o processo, ganha um espaço precioso de avaliação do desempenho dos seus alunos. Tanto no que se refere às habilidades cognitivas quanto ao que se refere às habilidades afetivas dos alunos.
O professor deve, contudo, explorar os diversos limites que os jogos podem oferecer, relacionando-os aos conteúdos escolares. Para tanto, é importante que o professor entregue-se à experiência de jogar, pensando sob a ótica do jogador, enfrentando os desafios e buscando novas possibilidades para soluções dos mesmos.
Cada jogo, deverá seguir uma sequência de itens que têm a função de orientar o professor na hora de construir seu material e desenvolvê-lo em sala de aula. Os itens são:
- Estrutura geral do jogo;
- Objetivo do jogo;
- Conteúdos que podem ser explorados durante a realização do jogo;
- Número de jogadores;
- Tempo médio de duração do jogo;
- Regras do jogo;
- Sugestões para o aprofundamento do jogo em sala de aula.

Baseada em experiências realizadas com jogos didáticos, conclui que esse recurso pode e deve ser utilizado em sala de aula, pois permite romper as paredes de sala de aula, quando se analisa o aspecto social e ampliam os limites imaginários do conhecimento, proporcionando ao aluno o aprofundamento de conceitos aparentemente abstratos.
Entretanto é preciso considerar que os jogos didáticos são ferramentas auxiliares ao trabalho de sala de aula e devem ser cuidadosamente avaliados e adequados as situações de ensino. A mera utilização de um jogo didático não garante a aprendizagem do aluno. O jogo deve ter uma boa qualidade e sobretudo deve ser utilizado no momento certo. Em síntese, jamais se deve fazer uso de qualquer recurso didático sem um rigoroso e cuidadoso planejamento.

sábado, 9 de julho de 2011

Educação: O resgate da autoridade em educação

"A autoridade se revela simultaneamente como um dos problesmas mais antigos com os quais os homens se confrontam e como uma das questões mais agudas da atualidade. Problema antigo, de fato, o da revolta do filho contra o pai, da insubordinação dos alunos que não querem aprender, da inquietude das sociedades acerca das novas gerações, que devem ser domesticadas e, ao mesmo tempo emancipadas.
O imenso mérito de Gérard Guillot é nos oferecer, de maneira acessível e concreta, uma alternativa educativa original chamada 'autoridade de bons tratos'. Ele fornece uma referência para pensar e agir mais acertadamente e permitir o desenvolvimento harmonioso da pessoa. Longe dos encantamentos passadistas e dos devaneios libertários, ele propõe ações concretas que auxiliarão o educador a enfrentar as questões mais cotidianas, sem ficar preso no imediato.
Philippe Meirieu

Livro de Gérard Guillot
Professor de Filosofia, Universidade de Lyon, França.
O resgate da autoridade em educação.


A crise da autoridade manifesta-se nas famílias, nas escolas, na desconfiança em relação aos poderes, particularmente o poder político.
Muitos professores, iniciantes ou mais experientes, enfrentam hoje problemas de autoridade com os jovens.
A violência de forma espetacular ou oculta, não só se apresenta de forma banalizada como se radicalizou na humanidade.

A educação como estrutura das atitudes diante da vida e do outro, também deve afirmar o respeito ao ser humano pela palavra e pelos atos. É uma questão de princípios.
Agir cedo, desde o início, não é somente precaução e prevençao, é uma obrigação ética, política e educativa, que não depende de algumas boas-vontades aqui e ali, mas de uma parceria entre professores, famílias e poder público.

É frequentemente esgotante conduzir determinadas turmas para alguns professores. O que fazer diante de alunos sem motivação? Alguns colegas professores, mesmo com a preparação pedagógica, com conhecimento de aprendizagens específicas, não conseguem mudar e instaurar a implantação da disciplina. Recorrem a práticas como reprimendas incessantes, gritos, desconto de pontos sob uma forma de punição, convocação aos pais, e outras maneiras.
A vontade que esses professores têm de ensinar e, portanto, de fazer com que seus alunos aprendam choca-se com recusas, inércia, condutas perturbadoras, provocações, e às vezes, insultos ou ameças e até mesmo violência.

O papel do professor e as representações coletivas evoluíram consideravelmente desde o início do século XX. Os debates são sempre vigorosos nesse sentido.
O professor é, por seu estatuto, um servidor da República.
A escola é oficialmente uma instituição que tem uma missão de serviço público.
Devido as últimas reformas, a noção de serviço público derivou para a de serviço do público e, desde então, dos públicos.
São as exigências econômicas, profissionais, as expectativas sociais que influenciam as políticas educativas. Os pais de alunos, "usuários" do serviço público, tendem a ser transformados ou a de se transformarem em "clientes" de um serviço privado e personalizado.

O pensamento permite julgar o impensável que a inteligência pode produzir. É por isso que a pedagogia é filha legítima da filosofia. A inteligência serve-se de valores: a questão fundamental, saber quais são eles. A preocupação ética tange ao exercício do pensamento, assim como Arendt desenvolveu, seguindo Kant e também Weber.
Weber distinguiu radicalmente uma "ética de convicção" de uma "ética de responsabilidade" e apelou para a vigilância dos políticos e dos professores, levantando a hipótese de que "é justo o problema da justificativa dos meios pelos fins que, em geral, destina ao fracasso a ética de convicção". Ele critica a demagogia moderna que recorre à publicidade e a mídia e que pede aos professores que se transformem em pequenos profetas de anfiteatro, encarregados de anunciar a vinda de um salvador (cientista ou religioso):"Assim vocês só conseguirão fazer uma coisa, impedir a nova geração de se dar conta deste fato decisivo: o profeta que tantos membros da nova geração clamam insistentemente, não existe" e "devemos responder pelas consequências previsíveis de nossos atos" sem nos contentar em fazer nosso "dever" para com um Deus ou uma ideologia erigida como absoluta.
A análise de Weber tem o mérito de levantar problemas, mas se limita a legitimações de autoridades existentes sem uma proposta de mudança.

Se autoridade é mediação, a mediação do direito é essencial, ela se refere a valores, a começar pelo respeito à humanidade de cada um. Um respeito que não é mera polidez do espírito, retomando uma expressão de Bachelard, mas que deve estar presente em cada fala, em cada olhar, em cada gesto. Era por isso que Kant considerava que o direito e a educação são as duas condições constitutivas de uma humanidade pacificada e de uma cidadania do mundo. O direito legisla os comportamentos observáveis, a educação não assume todo seu alcance a não ser que os saberes que ela transmite sejam esclarecidos por uma ética universalista. Para Guillot essa ética é paradoxal, pois "como cultivar a liberdade pela coerção? É necessário que eu habitue meu aluno a suportar que sua liberdade seja submetida a uma coerção e que, ao mesmo tempo, eu o instrua a fazer bom uso de sua liberdade. Sem isso, ele seria puro mecanismo. O homem privado de educação não sabe se servir de sua liberdade".
Segundo Guillot, para educar, ensinar, não se pode mais fazer como se os atrativos do presente não tivessem interesse, mas devem ser utilizados como recursos pedagógicos articulados entre a relação do saber e a relação de tempo dos alunos.

Currículo Escolar

Um dos pontos mais importantes para o desenvolvimento do aluno é o trabalho em equipe, pois desenvolve habilidades, transforma informações em conhecimento, evidenciando o aprendizado do conteúdo proposto.

Novak considera os mapas conceituais como instrumentos para negociar significados, pois propiciam a discussão, o compartilhamento e a negociação de significados. O papel do professor e dos recursos didáticos é o de mediar a aprendizagem, auxiliando o aprendiz a mover-se da zona cinza para a aprendizagem significativa.

As estratégias de aprendizagem são maneiras de lidar com as diferentes linguagens e formas nas quais as informações são apresentadas e as situações de aprendizagem são organizadas.

Portanto, quanto mais consciência o professor tiver de suas preferências e estratégias de aprendizagem, bem como das preferências e estratégias de seus alunos, mais ele terá chance de aumentar a consciência dos alunos sobre o que eles aprendem e de ajudá-los a desenvolver novas estratégias que os tornem aprendizes mais eficientes.

ORIENTAÇÕES CURRICULARES DO MEC

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias.

Proposta de Organização Curricular:
- base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada que atenda a especificidade regional e locais da sociedade, da cultura, da economia e do próprio aluno (Art. 26);
- planejamento e desenvolvimento orgânico do currículo, superando a organização por disciplinas estanques;
- integração e articulação dos conhecimentos em processo permanente de interdisciplinaridade e contextualização;
- proposta pedagógica elaborada e executada pelos estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as de seu sistema de ensino;
- participação dos docentes na elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino.

O Projeto Pedagógico e o Currículo da Escola devem ser objeto de ampla discussão para que suas propostas se aproximem sempre mais do currículo real que se efetiva no interior da escola e de cada sala de aula.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Tributo ao Professor Kássio Vinícios Castro Gomes

24 de maio de 2011Tributo ao Professor Kássio Vinícius Castro Gomes



O texto a seguir foi escrito por Igor Pantuzza Wildmann (Advogado – Doutor em Direito. Professor Universitário) e publicado pelo site www.consae.com.br Enviado pelos professores Luis Aparecido Rabelo e Marli Piffer. Veja a que ponto chegou a Educação no Brasil.


‘Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice’. (Émile Zola)
‘Meu dever é falar, não quero ser cúmplice’. (Émile Zola)


Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que… estudar!).


A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.
O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.


Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.


No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando…


E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”


Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno–cliente…


Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.


Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.


Ao assassino, corretamente, deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público.


A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca;

EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;


EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos” e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;

EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;


EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;
EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;


EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;


EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;


EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;


EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;


EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;


EU ACUSO os que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito;


EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;


EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.

EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;


EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;


Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.


Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.


A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”


Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.

*Igor Pantuzza Wildmann (Advogado – Doutor em Direito. Professor Universitário)
Publicado pelo site www.consae.com.br

terça-feira, 19 de abril de 2011

Sala de Aula

Meu assunto hoje é a sala de aula, esse espaço onde há muitos e muitos anos, desenrola-se o complexo processo do ensino e da aprendizagem.
Mesmo, nos tempos atuais, em que as tecnologias a serviço da comunicação e da informação derrubaram suas paredes, abrindo novos espaços educativos para a aprendizagem, a sala de aula continua sendo, e creio que assim será por muito tempo, o lugar privilegiado, o espaço social enigmático, o local que serve de palco para o construtivo confronto de ideias entre professores e alunos, entre alunos e alunos.
A sala de aula é um espaço não somente físico, limitado por quatro paredes onde ocorre o processo ensino aprendizagem, a partir da construção do conhecimento, mas o espaço mágico onde se articulam sonhos, em que se fortalece a socialização.
A sala de aula é o local onde se tecem, com os fios da convivência, amizades para toda a vida. Convivência que faz aprender a difícil arte de viver e conviver com as diferenças, onde se aprende a valorizar as coisas substantivas em detrimento das adjetivas. A sala de aula não é um espaço neutro; é, sim, um espaço político. É nela que se exercita a cidadania, onde se aprende que a liberdade de um termina quando começa a liberdade do outro; que há limites que devem ser respeitados. E o local certo para a troca de experiências, de conhecimentos, de vivências. Local onde todos são aprendizes – professores e alunos, onde se pratica o jogo do saber. Muita coisa perpassa esse espaço: alegrias, conflitos, expectativas, decepções, sucessos, fracassos, esperanças, avanços, retrocessos, autoridade, limites, tempo, vida.
Algumas salas de aula ficaram marcadas para sempre, em nossas lembranças, porque nelas aconteceu a magia do encontro, da identidade. Se cerrarmos os olhos, revisitando o passado, mais ou menos remoto, lembraremos não só dos rostos, das vozes, dos nomes, da arrumação física, mas também dos diálogos das informações que ali trocamos, do que ali aprendemos e que se tornaram úteis para alunos e professores, para o resto de suas vidas.
Foram salas de aula que se transformaram realmente em espaços mágicos de crescimento de troca de saberes, de formação integral, do exercício fascinante da aprendizagem. A dimensão de uma sala de aula depende da relação construída entre professor e alunos. Relação que não pode ser de conflito, de desinteresse, muito menos de violência; mas que deve ser uma relação de parceria, de cumplicidade, de troca, de limites, de interdependência, de crescimento pessoal.
É preciso que os professores saibam aproveitar o espaço de uma sala de aula para conhecer seus alunos, não só pelo nome escrito na ficha de chamada, mas pela história da vida de cada um, seus anseios, frustrações, expectativas. É esse convívio entre alunos e professor que permite eleger a metodologia e a didática mais adequadas para o melhor ensino e a melhor aprendizagem. É esse convívio que permite definir as regras disciplinares que, por serem elaboradas em conjunto, são respeitadas por todos. Limites não são impostos, são construídos. É preciso que os professores valorizem a sala de aula como ponto de encontro, para que se torne um espaço prazeroso para ele e para seus alunos, em que o lúdico, tantas vezes negado pela sociedade e pela vida possa estar presente no dia a dia dos discentes e na prática docente dos professores.
A sala que será lembrada por alunos e professor, será aquela que foi valorizada, o ensino se concretizou, a magia do encontro estabeleceu amizades fortalecidas, e os ensinamentos perdurarão por toda a vida. A lembrança desse espaço que jamais será esquecida, onde se aprendeu a ouvir, dialogar, a refletir,, a concluir, a defender pontos de vista, a respeitar e ser respeitado, a ensinar e aprender, e a preparar-se para a vida.