Durante muito tempo, acreditava-se que a aprendizagem ocorria pela repetição e que os alunos que não aprendiam eram os únicos responsáveis pelo seu insucesso. Hoje o insucesso de um aluno também é fruto do trabalho do profissional da educação. A ideia de ensino despertado pelo interesse do aluno passou a ser um desafio à competência do professor. O interesse do aluno passou a ser a força motora do processo de aprendizagem e o professor, o gerador de situações estimuladoras para aprendizagem. É nesse contexto que o jogo didático ganha espaço como instrumento motivador para aprendizagem de conhecimentos à medida que propõe estímulo ao interesse do aluno. O jogo ajuda o aluno a construir novas descobertas desenvolvendo e enriquecendo sua personalidade. Para o professor, o jogo o leva a condição de condutor, estimulador e avaliador da aprendizagem.
O professor pode utilizar jogos didáticos como auxiliar na construção do conhecimento, em qualquer área de ensino. Na matemática, é muito comum a utilização de jogos, principalmente nos primeiros anos de escolaridade. A biologia, também, faz uso desse recurso com certa frequência. Na química, esse recurso também tem sido utilizado, existindo hoje um bom material estruturado para o ensino de química. No ensino médio, em que os alunos encontram-se em uma faixa etária superior aos 14 anos, espera-se que os alunos já tenham alcançado um nível de abstação maior, dispensando-se recursos mais concretos, como e o caso dos jogos didáticos. Porém, para essa faixa etária, os jogos são igualmente interessantes e despertam grande interesse no aluno, já que a atividade de jogar, num sentido amplo, não é privilégio das crianças, pois adultos também gostam de jogar.
Entretanto os jogos devem ser mais elaborados, utilizando-se mais os jogos chamados de "jogos intelectuais". Esses jogos apresentam regras e objetivos bem definidos, que possibilitam estimular habilidades cognitivas, levando o aluno a relações mais abrangentes e criativas. Um jogo com essas características facilita a interiorização de conteúdos muitas vezes abstratos para o aluno.
Os jogos permitem, que os alunos, durante a atividade, participem da avaliação do próprio jogo, de seus companheiros e façam uma auto-avaliação do seu desempenho. Por outro lado, o professor, como observador de todo o processo, ganha um espaço precioso de avaliação do desempenho dos seus alunos. Tanto no que se refere às habilidades cognitivas quanto ao que se refere às habilidades afetivas dos alunos.
O professor deve, contudo, explorar os diversos limites que os jogos podem oferecer, relacionando-os aos conteúdos escolares. Para tanto, é importante que o professor entregue-se à experiência de jogar, pensando sob a ótica do jogador, enfrentando os desafios e buscando novas possibilidades para soluções dos mesmos.
Cada jogo, deverá seguir uma sequência de itens que têm a função de orientar o professor na hora de construir seu material e desenvolvê-lo em sala de aula. Os itens são:
- Estrutura geral do jogo;
- Objetivo do jogo;
- Conteúdos que podem ser explorados durante a realização do jogo;
- Número de jogadores;
- Tempo médio de duração do jogo;
- Regras do jogo;
- Sugestões para o aprofundamento do jogo em sala de aula.
Baseada em experiências realizadas com jogos didáticos, conclui que esse recurso pode e deve ser utilizado em sala de aula, pois permite romper as paredes de sala de aula, quando se analisa o aspecto social e ampliam os limites imaginários do conhecimento, proporcionando ao aluno o aprofundamento de conceitos aparentemente abstratos.
Entretanto é preciso considerar que os jogos didáticos são ferramentas auxiliares ao trabalho de sala de aula e devem ser cuidadosamente avaliados e adequados as situações de ensino. A mera utilização de um jogo didático não garante a aprendizagem do aluno. O jogo deve ter uma boa qualidade e sobretudo deve ser utilizado no momento certo. Em síntese, jamais se deve fazer uso de qualquer recurso didático sem um rigoroso e cuidadoso planejamento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário