Formação para professores e coordenadores do Ensino Médio Politécnico.
Assunto: Avaliação Emancipatória.
Palestrante: Isabel Letícia Pedroso de Medeiros - isabellpm@yahoo.com.br
ESTUDOS SOBRE REPROVAÇÃO
Funcionamento da Escola – operador que produz sucessos/ insucessos escolares;
Variáveis:
programa de ensino;
tempo diário e anual;
gestão do percurso escolar - retenção/progressão automática;
diferenciação de percurso;
certificação por exame ou automática;
acesso ao ensino superior automático via exame;
escolha dos conteúdos;
definição de dos objetivos e competências mínimas;
concepção e elaboração de ferramentas de avaliação;
escolha de métodos de ensino;
Perfil do professor: mais severo ou mais condescendente
ESTUDOS SOBRE REPROVAÇÃO
A RETENÇÃO ESCOLAR É NECESSÁRIA?
A RETENÇÃO ESCOLAR É NECESSÁRIA?
•Há
evolução positiva nas
avaliações cognitivas e sócio-afetivas dos alunos
repetentes se considerarmos o início do ano repetido e o final;
•Pesquisas
na França e em países
anglo-saxônicos, que comparam grupos de
alunos com mesmo nível/padrão de dificuldades, concluíram por diferenças
significativas de avanço no grupo promovido;
•nenhuma
análise conduziu a
uma diferença a favor dos alunos repetentes;
• programas de medidas
individualizadas mostraram significativa superioridade em termos de eficácia;
TEORIAS SOBRE O FRACASSO ESCOLAR
TEORIA
RACIAL
– JUSTIFICATIVA A PARTIR DA INFERIORIDADE RACIAL
No âmbito escolar,
este preconceito aparecia no discurso das diferenças; justificativas para as dificuldades de aprendizagem:
desigualdades cognitivas entre raças, inferioridade de negros, indígenas,
mestiços e mulheres, a quem “faltam” recursos cognitivos para aprender
TEORIA
DA PSICOLOGIA – FATORES INDIVIDUAIS
No ambiente escolar
as causas das dificuldades estavam sempre
localizadas no aprendiz, inatas,
não se cogitava a ideia de que fatores relacionados à vida
pessoal e familiar ou ao sistema escolar pudessem influenciar no desenvolvimento da aprendizagem ;
TEORIA DA CARÊNCIA CULTURAL E AMBIENTAL
Pesquisas afirmavam que a pobreza ambiental e cultural,
nas classes baixas, a aversão do homem caipira pela escola produziam dificuldades no
desenvolvimento psicológico infantil e
causavam dificuldades de aprendizagem e adaptação escolar
Essas teorias foram
formuladas nos Estados Unidos, como
resposta aos movimentos reivindicatórios,
e tiveram grande aceitação no Brasil
TEORIA
CRÍTICA
•meados
dos anos setenta : referências teóricas
de Bourdieu e Passeron violência simbólica em duplo sentido – imposição de uma
arbitrariedade cultural por um poder
arbitrário;
•Objetivo: refletir o papel da escola numa sociedade dividida em classes, a
possibilidade de pensar a escola no âmbito de uma concepção crítica de sociedade, lugar onde se exerce a
dominação cultural, a reprodução das
relações de produção.
•Escola: lugar onde os conteúdos
trabalhados ideologicamente, escondem a exploração através de estilos de pensamento e
linguagem característicos dos integrantes das classes dominantes.
•Sistema de ensino: passou a ser
analisado como instrumento da manutenção dos privilégios educacionais e profissionais, responsável
pelo fracasso escolar das crianças das
classes pobres.
•Nos
anos setenta as
pesquisas sobre o fracasso escolar já
apresentavam como característica principal a
investigação da participação do sistema de ensino nos resultados da aprendizagem, através dos fatores intra-escolares e suas relações de
seleção e exclusão social que se desenvolvem na escola.
A REPROVAÇÃO ESCOLAR NA ATUALIDADE
•Cada vez mais percebida como estratégia improdutiva e
indesejável – não produz aprendizagem, mas acomodação e reprodução
•necessidade de melhorar as
condições da escolarização, em
especial na etapa de
alfabetização.
• A reprovação
escolar deve ser superada pelos seguintes motivos:
•É fator de discriminação e seleção social;
•É fator de distorção
do sentido da avaliação;
•pedagogicamente não é a melhor
solução;
•não é justo o aluno
pagar por eventuais deficiências do ensino;
•tem um elevado custo
social;
•toda criança é capaz de
aprender. (VASCONCELLOS, 2005)
Coibida nas reformas
educacionais pós 1988, o que se evidencia na legislação
AVALIAÇÃO FORMATIVA: EMANCIPATÓRIA, DIAGNÓSTICA e REGULADORA
•Processo
sistemático, contínuo e integrado destinado a:
•Determinar
se objetivos foram alcançados;
•Identificar
aspectos do objeto da avaliação e do contexto a serem aprimorados
•Planejar
e desenvolver correção de rumos
•Acompanhar
o processo de ensino-aprendizagem;
•Verificar
saberes, competências e habilidades dos alunos;
•A
sequência formativa tem três etapas:
1)coleta de informações, referente aos progressos
realizados e às dificuldades de aprendizagem encontradas pelo aluno;
2)interpretação dessas informações, com vistas a operar um
diagnóstico das eventuais dificuldades;
3) adaptação das atividades de ensino/aprendizagem –
•coleta de informação / diagnóstico
individualizado / ajuste da ação
O
QUE VAMOS AVALIAR?
•Definição
prévia, no planejamento, do que é significativo, hierarquizando a importância
dos descritores e indicadores;
•A
definição é precedida de um processo diagnóstico, negociando e de negociação: o
que sabem esses estudantes? O que é possível que aprendam?
•O
ensino médio apresenta conhecimentos descritivos e formas de pensamento
totalmente desconhecidos dos estudantes, pressupondo um conhecimento anterior
que não existe: por exemplo, as ciências experimentais, totalmente mitigadas no
ensino fundamental, abrem um campo totalmente novo para os estudantes.
DIMENSÕES
•Conteúdos: “o conjunto de conhecimentos e formas culturais cuja
assimilação e apropriação pelos alunos e alunas é considerada essencial para
seu desenvolvimento e socialização.”
•
três dimensões:
§conteúdos fatuais/conceituais: um saber, um conteúdo intelectual ; não é suficiente serem lembrados ou reconhecidos de modo
literal, mas devem
ser compreendidos, serem
inseridos em redes conceituais. Concordância nominal e concordância verbal unidades temáticas, paragrafação,
vocabulário disciplinar, elementos gramaticais – fonologia, morfologia, sintaxe, semântica, equações
matemáticas, poteciação, circulação do sangue, a história da arte
•conteúdos procedimentais (destrezas, técnicas, estratégias): dominar um objeto ou
uma atividade (atar os sapatos, nadar, ler...); conjuntos de ações ordenadas, direcionadas para a conquista de uma
meta; são conteúdos escolares
na medida em que os professores podem planejar intervenções que ajudem os
estudantes a construí-los; não devem ser confundidos com as atividades, mas com
esquemas mentais incorporados.
•conteúdos atitudinais:
“tendências ou
disposições adquiridas e relativamente duradouras a avaliar de um modo
determinado um objeto, pessoa, acontecimento ou situação e a atuar de acordo
com essa avaliação.” São
informadas por três
componentes: cognitivo, afetivo e de conduta; a expressão de uma
atitude é um ato social;
a escola é sempre um agente
socializador, gerador de atitudes.
•Nesse
sentido, deve tomar todas essas dimensões
como um objeto de
ensino/aprendizagem, planejando intervenções didático-metodológicas para tanto.

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