sábado, 18 de agosto de 2012

Avaliação Emancipatória



Formação para professores e coordenadores do Ensino Médio Politécnico.
Assunto: Avaliação Emancipatória.
Palestrante: Isabel Letícia Pedroso de Medeiros - isabellpm@yahoo.com.br




ESTUDOS SOBRE REPROVAÇÃO
Funcionamento da Escola – operador que produz sucessos/ insucessos escolares;
Variáveis:
programa de ensino;
tempo diário e anual;
gestão do percurso escolar - retenção/progressão automática;
diferenciação de percurso;
certificação por exame ou automática;
acesso ao ensino superior automático via exame;
escolha dos conteúdos;
definição de dos objetivos e competências mínimas;
concepção e elaboração de ferramentas de avaliação;
escolha de métodos de ensino;
Perfil do professor: mais severo ou mais condescendente

ESTUDOS SOBRE REPROVAÇÃO
A RETENÇÃO ESCOLAR É NECESSÁRIA?

•Há evolução positiva nas avaliações cognitivas e sócio-afetivas dos alunos repetentes se considerarmos o início do ano repetido e o final;
•Pesquisas na França e em países anglo-saxônicos, que comparam  grupos de alunos com mesmo nível/padrão de dificuldades, concluíram por diferenças significativas de avanço no grupo promovido; 
•nenhuma análise conduziu a uma diferença a favor dos alunos repetentes;
• programas de medidas individualizadas mostraram significativa superioridade em termos de eficácia;



TEORIAS SOBRE O FRACASSO ESCOLAR

TEORIA RACIAL – JUSTIFICATIVA A PARTIR DA INFERIORIDADE RACIAL
No âmbito escolar, este preconceito aparecia no discurso das diferenças; justificativas para as dificuldades de aprendizagem: desigualdades cognitivas entre raças, inferioridade de negros, indígenas, mestiços e mulheres, a quem “faltam” recursos cognitivos para aprender
TEORIA DA PSICOLOGIA – FATORES INDIVIDUAIS
No ambiente escolar as causas das dificuldades estavam sempre  localizadas no aprendiz, inatas, não  se cogitava a ideia de que fatores relacionados à vida pessoal e familiar  ou ao sistema escolar  pudessem influenciar no desenvolvimento da aprendizagem ;

TEORIA DA CARÊNCIA CULTURAL E AMBIENTAL
Pesquisas afirmavam que a pobreza ambiental e cultural, nas  classes baixas,  a aversão do homem caipira pela escola produziam dificuldades no desenvolvimento psicológico  infantil e causavam dificuldades de aprendizagem e adaptação escolar
Essas teorias foram formuladas nos Estados Unidos,  como resposta aos movimentos reivindicatórios,  e tiveram grande aceitação no Brasil


TEORIA CRÍTICA
•meados dos anos setenta : referências  teóricas  de Bourdieu e  Passeron violência simbólica em duplo sentido – imposição de uma arbitrariedade cultural por um  poder arbitrário;
Objetivo: refletir o papel da escola numa sociedade dividida em classes, a possibilidade de pensar a escola no âmbito de uma concepção crítica de sociedade, lugar onde se exerce a dominação  cultural, a reprodução das relações de produção.
Escola: lugar onde os  conteúdos trabalhados ideologicamente, escondem a exploração  através de estilos de pensamento e linguagem  característicos dos  integrantes das classes dominantes.
Sistema de ensino: passou a ser  analisado como instrumento da manutenção dos privilégios  educacionais e profissionais, responsável pelo fracasso escolar das  crianças das classes pobres.
•Nos anos setenta as pesquisas sobre o  fracasso escolar já apresentavam como característica principal a  investigação da participação do sistema de ensino nos resultados da  aprendizagem, através dos fatores intra-escolares e suas relações de seleção e exclusão social que se desenvolvem na escola.

A REPROVAÇÃO ESCOLAR NA ATUALIDADE
Cada vez mais percebida como estratégia improdutiva e indesejável – não produz aprendizagem, mas acomodação e reprodução
•necessidade de melhorar as condições da  escolarização, em especial  na etapa de alfabetização.
A reprovação escolar deve ser superada pelos seguintes motivos:
•É fator de  discriminação e seleção social;
•É fator de distorção do sentido da avaliação;
•pedagogicamente não é a melhor solução;
•não é justo o aluno pagar por eventuais deficiências do ensino;
•tem um elevado custo social;
•toda criança é capaz de aprender. (VASCONCELLOS, 2005)
Coibida nas reformas educacionais pós 1988, o que se evidencia na legislação

AVALIAÇÃO FORMATIVA: EMANCIPATÓRIA, DIAGNÓSTICA e REGULADORA

•Processo sistemático, contínuo e integrado destinado a:
•Determinar se objetivos foram alcançados;
•Identificar aspectos do objeto da avaliação e do contexto a serem aprimorados
•Planejar e desenvolver correção de rumos
•Acompanhar o processo de ensino-aprendizagem;
•Verificar saberes, competências e habilidades dos alunos;
•A sequência formativa tem três etapas:
1)coleta de informações, referente aos progressos realizados e às dificuldades de aprendizagem encontradas pelo aluno;
2)interpretação dessas informações, com vistas a operar um diagnóstico das eventuais dificuldades;
3) adaptação das atividades de ensino/aprendizagem –
coleta de informação / diagnóstico individualizado / ajuste da ação

O QUE VAMOS AVALIAR?
•Definição prévia, no planejamento, do que é significativo, hierarquizando a importância dos descritores e indicadores;
•A definição é precedida de um processo diagnóstico, negociando e de negociação: o que sabem esses estudantes? O que é possível que aprendam?
•O ensino médio apresenta conhecimentos descritivos e formas de pensamento totalmente desconhecidos dos estudantes, pressupondo um conhecimento anterior que não existe: por exemplo, as ciências experimentais, totalmente mitigadas no ensino fundamental, abrem um campo totalmente novo para os estudantes.
DIMENSÕES
Conteúdos: “o conjunto de conhecimentos e formas culturais cuja assimilação e apropriação pelos alunos e alunas é considerada essencial para seu desenvolvimento e socialização.”
• três dimensões:
§conteúdos fatuais/conceituais: um saber, um conteúdo intelectual ; não é suficiente serem lembrados ou reconhecidos de modo literal, mas devem ser compreendidos, serem inseridos em redes conceituais. Concordância nominal e concordância verbal unidades temáticas, paragrafação, vocabulário disciplinar, elementos gramaticais – fonologia, morfologia, sintaxe, semântica, equações  matemáticas, poteciação,  circulação do sangue, a história da arte

conteúdos procedimentais (destrezas, técnicas, estratégias): dominar um objeto ou uma atividade (atar os sapatos, nadar, ler...); conjuntos de ações ordenadas, direcionadas para a conquista de uma meta; são conteúdos escolares na medida em que os professores podem planejar intervenções que ajudem os estudantes a construí-los; não devem ser confundidos com as atividades, mas com esquemas mentais incorporados.
conteúdos atitudinais:  “tendências ou disposições adquiridas e relativamente duradouras a avaliar de um modo determinado um objeto, pessoa, acontecimento ou situação e a atuar de acordo com essa avaliação.” São informadas por três componentes: cognitivo, afetivo e de conduta;  a expressão de uma atitude é um ato social; a escola é sempre um agente socializador, gerador de atitudes.
•Nesse sentido, deve tomar todas essas dimensões como um objeto de ensino/aprendizagem, planejando intervenções didático-metodológicas para tanto.












segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

segunda-feira, 14 de novembro de 2011


PROPOSTA PEDAGÓGICA PARA O ENSINO MÉDIO POLITÉCNICO E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL INTEGRADA AO ENSINO MÉDIO 2011-2014

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO do ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL


http://www.uges.org.br/arquivos/PROPOSTA%20PEDAGOGICA%20PARA%20O%20ENSINO%20MEDIO.pdf

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Desafios para a educação química

     A Ciência é uma das mais extraordinárias criações do homem, que lhe confere, ao mesmo tempo, poderes de satisfação intelectual, pela estética que suas explicações proporcionam, quanto pelas possibilidades de conhecimento científico. Mas ela não é lugar de certezas absolutas. Conhecer a Ciência é assunto quase vedado àqueles que não pertencem a essa comunidade científica.  Acredito que não tenhamos ideia da quantidade de homens e mulheres que são analfabetos científicos. Sabemos que há muito a mudar. Assim como são realizadas campanhas  para diminuir as taxas de analfabetismo, a busca de alternativas para oferecer uma alfabetização científica aos homens e mulheres para fazê-los cidadãos e cidadãs mais críticos é nosso continuado, mas aparentemente novo desafio.
       Quando se fazem propostas para uma alfabetização científica se pensa imediatamente nos currículos de ciências. A ciência é estudada de maneira inter-relacionada com as tecnologias e a sociedade. Tais currículos hoje tem sido denominados de TIC's.
     Precisamos ter presente a nossa responsabilidade maior no ensinar Ciência. Fazer com que os nossos alunos e alunas se tornem, homens e mulheres mais críticos, e os estudantes possam tornar-se agentes de transformação do mundo em que vivemos.
     A situação da Química tem seu objeto de estudo muito mais distante do aluno. Átomos, moléculas, íons, elétrons, mol... não pertencem ao senso comum das pessoas. Inicialmente a Química trabalha com modelos, visto que a realidade muitas vezes está fora do alcance dos estudantes, e o relacionamento com as dimensões do que é objeto do ensino, operando com números tão grandes e/ou tão pequenos, ficando fora do imaginário do aluno e muitas vezes, até do professor.
      Kekulé, descobriu, enquanto sonhava, a estrutura do benzeno. É preciso que (re)aprendamos a sonhar.
     Reconheço a existência de um estatuto próprio para  a linguagem química, mas permito-me utilizar a tradução dessa linguagem para facilitar o entendimento dos analfabetos científicos que temos que alfabetizar.

domingo, 30 de outubro de 2011

Seminário Regional Boas Práticas Digitais


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcF2B67R0Zi1x2EP0Pu20IoFsOVbxBbaUHKv9nfRdsktPeRJ9jsb9_SQvBvwZfLU9DPjJYDLjkuIOT0S1u7mlXPP-Al8UUdf8sftu3dQMBK-r1t-RyvRTOP8lp5wtx0KjwFEWCjkNlCg0/s910/NTEs+6.jpg



QUINTA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2011


No dia 20 de outubro aconteceu o Seminário Regional Boas Práticas Digitais, no auditório da ULBRA em Cachoeira do Sul.
O evento foi uma realização SEDUC/NTE e estiveram presentes professores da 3ª CRE (Estrela), da 6ª CRE (Santa Cruz do Sul), da 8ª CRE (Santa Maria) e da 24ª CRE (Cachoeira do Sul). O encontro proporcionou o relato das boas práticas digitais e tecnológicas, e o uso das novas tecnologias no fazer pedagógico; assim como, as trocas de experiências, subsidiando as novas possibilidades dos recursos tecnológicos, e promovendo a reflexão crítica sobre uso pedagógico das tecnologias como recurso didático.

O Prof. Rodrigo Keller, Doutor em Informática na Educação pela UFRGS e Coordenador do Curso de Sistemas de Informação da ULBRA palestrou sobre “Professores na geração digital”, logo após iniciaram os relatos de experiências das escolas de abrangência da quatro Coordenadorias, pela manhã do Ensino Fundamental do Ensino Médio pela tarde. 

Trabalhos apresentados:

Ensino Fundamental

Jornal On-line
Escola: EEEF Amaral Lisboa
Responsável: Rochele Schneider Peters
Cidade: Rio Pardo

Ensino Médio

Blog
Escola: CE Monte Alverne e EEEM Wlly Carlos Fröhlich
Responsável: Núria Meurer e Lenir Maria Rossarola
Cidade: Santa Cruz do Sul


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Jogos didáticos

Durante muito tempo, acreditava-se que a aprendizagem ocorria pela repetição e que os alunos que não aprendiam eram os únicos responsáveis pelo seu insucesso. Hoje o insucesso de um aluno também é fruto do trabalho do profissional da educação. A ideia de ensino despertado pelo interesse do aluno passou a ser um desafio à competência do professor. O interesse do aluno passou a ser a força motora do processo de aprendizagem e o professor, o gerador de situações estimuladoras para aprendizagem. É nesse contexto que o jogo didático ganha espaço como instrumento motivador para aprendizagem de conhecimentos à medida que propõe estímulo ao interesse do aluno. O jogo ajuda o aluno a construir novas descobertas desenvolvendo e enriquecendo sua personalidade. Para o professor, o jogo o leva a condição de condutor, estimulador e avaliador da aprendizagem.
O professor pode utilizar jogos didáticos como auxiliar na construção do conhecimento, em qualquer área de ensino. Na matemática, é muito comum a utilização de jogos, principalmente nos primeiros anos de escolaridade. A biologia, também, faz uso desse recurso com certa frequência. Na química, esse recurso também tem sido utilizado, existindo hoje um bom material estruturado para o ensino de química. No ensino médio, em que os alunos encontram-se em uma faixa etária superior aos 14 anos, espera-se que os alunos já tenham alcançado um nível de abstação maior, dispensando-se recursos mais concretos, como e o caso dos jogos didáticos. Porém, para essa faixa etária, os jogos são igualmente interessantes e despertam grande interesse no aluno, já que a atividade de jogar, num sentido amplo, não é privilégio das crianças, pois adultos também gostam de jogar.
Entretanto os jogos devem ser mais elaborados, utilizando-se mais os jogos chamados de "jogos intelectuais". Esses jogos apresentam regras e objetivos bem definidos, que possibilitam estimular habilidades cognitivas, levando o aluno a relações mais abrangentes e criativas. Um jogo com essas características facilita a interiorização de conteúdos muitas vezes abstratos para o aluno.
Os jogos permitem, que os alunos, durante a atividade, participem da avaliação do próprio jogo, de seus companheiros e façam uma auto-avaliação do seu desempenho. Por outro lado, o professor, como observador de todo o processo, ganha um espaço precioso de avaliação do desempenho dos seus alunos. Tanto no que se refere às habilidades cognitivas quanto ao que se refere às habilidades afetivas dos alunos.
O professor deve, contudo, explorar os diversos limites que os jogos podem oferecer, relacionando-os aos conteúdos escolares. Para tanto, é importante que o professor entregue-se à experiência de jogar, pensando sob a ótica do jogador, enfrentando os desafios e buscando novas possibilidades para soluções dos mesmos.
Cada jogo, deverá seguir uma sequência de itens que têm a função de orientar o professor na hora de construir seu material e desenvolvê-lo em sala de aula. Os itens são:
- Estrutura geral do jogo;
- Objetivo do jogo;
- Conteúdos que podem ser explorados durante a realização do jogo;
- Número de jogadores;
- Tempo médio de duração do jogo;
- Regras do jogo;
- Sugestões para o aprofundamento do jogo em sala de aula.

Baseada em experiências realizadas com jogos didáticos, conclui que esse recurso pode e deve ser utilizado em sala de aula, pois permite romper as paredes de sala de aula, quando se analisa o aspecto social e ampliam os limites imaginários do conhecimento, proporcionando ao aluno o aprofundamento de conceitos aparentemente abstratos.
Entretanto é preciso considerar que os jogos didáticos são ferramentas auxiliares ao trabalho de sala de aula e devem ser cuidadosamente avaliados e adequados as situações de ensino. A mera utilização de um jogo didático não garante a aprendizagem do aluno. O jogo deve ter uma boa qualidade e sobretudo deve ser utilizado no momento certo. Em síntese, jamais se deve fazer uso de qualquer recurso didático sem um rigoroso e cuidadoso planejamento.