A Ciência é uma das mais extraordinárias criações do homem, que lhe confere, ao mesmo tempo, poderes de satisfação intelectual, pela estética que suas explicações proporcionam, quanto pelas possibilidades de conhecimento científico. Mas ela não é lugar de certezas absolutas. Conhecer a Ciência é assunto quase vedado àqueles que não pertencem a essa comunidade científica. Acredito que não tenhamos ideia da quantidade de homens e mulheres que são analfabetos científicos. Sabemos que há muito a mudar. Assim como são realizadas campanhas para diminuir as taxas de analfabetismo, a busca de alternativas para oferecer uma alfabetização científica aos homens e mulheres para fazê-los cidadãos e cidadãs mais críticos é nosso continuado, mas aparentemente novo desafio.
Quando se fazem propostas para uma alfabetização científica se pensa imediatamente nos currículos de ciências. A ciência é estudada de maneira inter-relacionada com as tecnologias e a sociedade. Tais currículos hoje tem sido denominados de TIC's.
Precisamos ter presente a nossa responsabilidade maior no ensinar Ciência. Fazer com que os nossos alunos e alunas se tornem, homens e mulheres mais críticos, e os estudantes possam tornar-se agentes de transformação do mundo em que vivemos.
A situação da Química tem seu objeto de estudo muito mais distante do aluno. Átomos, moléculas, íons, elétrons, mol... não pertencem ao senso comum das pessoas. Inicialmente a Química trabalha com modelos, visto que a realidade muitas vezes está fora do alcance dos estudantes, e o relacionamento com as dimensões do que é objeto do ensino, operando com números tão grandes e/ou tão pequenos, ficando fora do imaginário do aluno e muitas vezes, até do professor.
Kekulé, descobriu, enquanto sonhava, a estrutura do benzeno. É preciso que (re)aprendamos a sonhar.
Reconheço a existência de um estatuto próprio para a linguagem química, mas permito-me utilizar a tradução dessa linguagem para facilitar o entendimento dos analfabetos científicos que temos que alfabetizar.