terça-feira, 19 de abril de 2011

Sala de Aula

Meu assunto hoje é a sala de aula, esse espaço onde há muitos e muitos anos, desenrola-se o complexo processo do ensino e da aprendizagem.
Mesmo, nos tempos atuais, em que as tecnologias a serviço da comunicação e da informação derrubaram suas paredes, abrindo novos espaços educativos para a aprendizagem, a sala de aula continua sendo, e creio que assim será por muito tempo, o lugar privilegiado, o espaço social enigmático, o local que serve de palco para o construtivo confronto de ideias entre professores e alunos, entre alunos e alunos.
A sala de aula é um espaço não somente físico, limitado por quatro paredes onde ocorre o processo ensino aprendizagem, a partir da construção do conhecimento, mas o espaço mágico onde se articulam sonhos, em que se fortalece a socialização.
A sala de aula é o local onde se tecem, com os fios da convivência, amizades para toda a vida. Convivência que faz aprender a difícil arte de viver e conviver com as diferenças, onde se aprende a valorizar as coisas substantivas em detrimento das adjetivas. A sala de aula não é um espaço neutro; é, sim, um espaço político. É nela que se exercita a cidadania, onde se aprende que a liberdade de um termina quando começa a liberdade do outro; que há limites que devem ser respeitados. E o local certo para a troca de experiências, de conhecimentos, de vivências. Local onde todos são aprendizes – professores e alunos, onde se pratica o jogo do saber. Muita coisa perpassa esse espaço: alegrias, conflitos, expectativas, decepções, sucessos, fracassos, esperanças, avanços, retrocessos, autoridade, limites, tempo, vida.
Algumas salas de aula ficaram marcadas para sempre, em nossas lembranças, porque nelas aconteceu a magia do encontro, da identidade. Se cerrarmos os olhos, revisitando o passado, mais ou menos remoto, lembraremos não só dos rostos, das vozes, dos nomes, da arrumação física, mas também dos diálogos das informações que ali trocamos, do que ali aprendemos e que se tornaram úteis para alunos e professores, para o resto de suas vidas.
Foram salas de aula que se transformaram realmente em espaços mágicos de crescimento de troca de saberes, de formação integral, do exercício fascinante da aprendizagem. A dimensão de uma sala de aula depende da relação construída entre professor e alunos. Relação que não pode ser de conflito, de desinteresse, muito menos de violência; mas que deve ser uma relação de parceria, de cumplicidade, de troca, de limites, de interdependência, de crescimento pessoal.
É preciso que os professores saibam aproveitar o espaço de uma sala de aula para conhecer seus alunos, não só pelo nome escrito na ficha de chamada, mas pela história da vida de cada um, seus anseios, frustrações, expectativas. É esse convívio entre alunos e professor que permite eleger a metodologia e a didática mais adequadas para o melhor ensino e a melhor aprendizagem. É esse convívio que permite definir as regras disciplinares que, por serem elaboradas em conjunto, são respeitadas por todos. Limites não são impostos, são construídos. É preciso que os professores valorizem a sala de aula como ponto de encontro, para que se torne um espaço prazeroso para ele e para seus alunos, em que o lúdico, tantas vezes negado pela sociedade e pela vida possa estar presente no dia a dia dos discentes e na prática docente dos professores.
A sala que será lembrada por alunos e professor, será aquela que foi valorizada, o ensino se concretizou, a magia do encontro estabeleceu amizades fortalecidas, e os ensinamentos perdurarão por toda a vida. A lembrança desse espaço que jamais será esquecida, onde se aprendeu a ouvir, dialogar, a refletir,, a concluir, a defender pontos de vista, a respeitar e ser respeitado, a ensinar e aprender, e a preparar-se para a vida.